Estudo do artigo 2020 AAHA Anesthesia and Monitoring Guidelines for Dogs and Cats (Guia de Anestesia e monitoração para cães e gatos)_ Parte 1
Logo na introdução, é comentado que não existe medicamentos anestésicos, ou procedimentos anestésicos seguros, e sim existe um anestesista seguro. E que a anestesia começa desde quando o paciente deixa a sua casa, e finaliza quando ele volta para ela. Envolve a pré-anestesia, anestesia e pós-anestesia. Com o monitoramento em todas as etapas para garantir o estado de saúde do animal. E pode continuar até em casa com a manutenção da analgesia. E que o artigo/guia sintetiza muita coisa sobre anestesia, mas que ele não deve ser tomado como única fonte. E que as escolhas anestésicas devem ser individualizadas para cada animal, mais com a presença de protocolos para que a equipe anestésica tenha segurança em sua aplicação.
Fase pré- anestésica
E que a fase pré-anestésica não envolve apenas a tranquilização do paciente, analgesia. Também envolve uma avaliação anestésica completa e estabilização do paciente. Avaliação do paciente quanto ao ASA. E saber que quanto >3 for o ASA, mais risco de mortalidade no procedimento o paciente tem em comparação com os pacientes <2. E que gatos possuem maior mortalidade que os cães. E que é importante ter um check list para nesta fase para minimizar erros e riscos.
Passo 1: Avaliação pré-anestésica e planos
Avaliação pré-anestésica
É importante na avaliação pré-anestesica saber o histórico do paciente para avaliar fatores de risco. Saber sobre procedimentos anestésicos anteriores como foi a recuperação e a satisfação do tutor.
A idade do animal - animais neonatos, pediátricos ou geriátricos estão em grupo de risco, um por ter mecanismos fisiológicos ainda imaturos e outro ,por exemplo, poder apresentar déficit em compensar hipotensão e hipotermia, além de poder ter doenças que ponham em risco o procedimento.
Certas raças também tamanho de raças podem ser um risco - raças muito pequenas/toy tem risco de sobrecarga de volume, serem susceptíveis a hipotermia, dificuldade em intubação e monitoração. Como também raças gigantes por causa das doses maiores de medicamentos.
Raças braquicefálicas estão associadas a mais complicação pós-operatórias. E tanto braquicefálicos e gatos estão mais sujeitos a obstrução das vias aéreas superiores. Cavalier King e gatos (ex. Maine Coon) são predispostos as doenças cardíacas, greyhounds a hiperpotassemia em anestesia geral e aumento da recuperação após barbitúricos. Raças afetadas pela resistência múltiplas as drogas mutação 1 (ABCB1) devem receber doses baixas de acepromazina e butorfanol. Outros animais a serem considerados correspondem aqueles susceptíveis ao colapso de traqueia comum em raças pequenas, raças relacionadas com disfunção renal e hepática, além da raça Shiba inu com baixa de potássio intra-eritrociário, e o metabolismo diferencial de drogas em gatos.
Cães que não consomem dieta a base de grãos estão associadas a presença de cardiomiopatia dilatada.
Temperamento também interfere. Animais ansiosos, com medo, e estresse podem exibir isso de várias formas necessitando muitas vezes de maiores doses das medicações anestésicas o que pode levar a a depressão cardiovascular e respiratória, enquanto que animais mais depressivos e quietos vão necessitar de menor dose. E para diminuir a ansiedade do paciente, isso pode ser começar a ser feito desde casa.
Deve ocorrer exame físico em até 12/24 horas antes da anestesia, e se tiver alguma mudança no status do paciente fazer na avaliação pré-anestésica. Ter exames como hemograma, painel bioquímico e urinálise podendo serem de até 2/3 meses antes do procedimento, desde que o animal esteja fisicamente saudável.
Fatores de risco que devem ocorrer uma intervenção corresponde a anemia agressiva, crônica; hipotermia <37,2 C; hiperpotassemia > 6mEq/L; pH <,7.2; desidratação; glicose <60 mg/dl; animal ansioso, com dor; arritmias cardíacas graves; cianose; insuficiência cardíaca congestiva; oligúria, anúria, pneumotórax.
Para o monitoramento do paciente é importante ter o exame pré-anestésico, a pré-medicação, cateter intravenoso, saber a frequência respiratório, com oxímetro para saber SpO2, EtCO2; monitoramento cardíaco com frequência cardíaca, pressão arterial (bem importante em pacientes doentes renais, cardiovascular e endócrino); rítmo cardíaco com eletrocardiograma; monitoramento e suporte da temperatura corporal. E todos esses valores serem registrados.
Fase pré-anestesica
(Ainda passo 1: Avaliação pré-anestésica e considerações de plano)
Considerações de plano
O tipo de invasividade do procedimento, o tempo de procedimento, o grau de dor são fundamentais para identificar o melhor procedimento anestésico. Sendo que uns podem precisar apenas de uma sedação mais leve, enquanto que outros de uma anestesia geral.
Uma equipe treinada também é importante para facilitar nos procedimentos.
A hora do procedimento a ser realizado também é fundamental. Procedimentos feitos no final da tarde e muitas horas depois do horário de trabalho tendem a ter mais erros devido a poucos pessoas, a cansaço. Se possível marcar procedimentos não emergenciais no próximo dia regular em que possa haver um planejamento adequado, e procedimentos emergenciais sejam marcados durante a manhã.
Passo 2: Comunicação com o cliente
Após ser feito o plano anestésico tendo em vista a individualidade do animal e o procedimento, o anestesista deve comunicar o tutor os riscos do procedimento - e que tem um risco anestésico de morte. Que é de 0,05% em cães, e de 0,11% em gatos saudáveis, com a morte em média ocorrendo 3 horas pós-operatório.
E ao falar dos riscos, também acalmar o tutor explicandos que os riscos serão minimizados com o protocolo anestésico individualizado do paciente, ao todo suporte de equipamentos, ao conhecimento do anestesista, e equipe treinada. Bem como confortar de que o animal vai ter todo um suporte analgésico.
Fase 2: Dia da Anestesia
Passo 1: A anestesia começa em casa
É importante considerar o período de jejum. Sendo que a diminuição do período de jejum nos últimos anos foi considerado com menores efeitos adversos. E pacientes pediátricos e com diabetes devem ter esse período ainda menor.
Outra questão a ser considerada é se o paciente toma certos medicamentos que devem ser abolidos no dia da anestesia, ou ter que serem iniciados.
E em pacientes com medo, ansiosos pode ser administrado em casa gabapentina, tranzadone por via oral.
Identificar fatores que podem levar a vômito, como por exemplo, se o animal possui enjôos de movimento. Com a possibilidade de aplicar maropitant de forma preventiva antes de chegar a clínica/hospital.
Passo 2: Preparação de equipamento
Importante verificar os equipamentos antes do procedimento anestésico para verificar que todos estão em plena funcionalidade. Importante fazer um check list para evitar falhas.
Verificar que o tanque de O2 esteja > 200 "psi", bem como se o circuito de oxigênio esteja "ok", que o agente anestésico inalante esteja na máquina (caso seja procedimento com anestesia inalatória), que o absorvente de CO2 esteja apropriado.
Referências:
Tamara G, Sager J, Gaynor S, Montgomery E, Parker J, Shafford H, Tearney C. 2020 AAHA Anesthesia and Monitoring Guidelines for Dogs and Cats. Am Anim Hosp Assoc. v.56, n.2, 2020.
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