Opióides (Lumb e Jones. Anestesiologia e Analgesia em Veterinária_Cáp.11)

 Opioides

Introdução (Parte 1)

 

Os opioides são substâncias que atuam nos receptores opioide, enquanto que os opiáceos são derivados do ópio. No corpo dos animais existem vários tipos de receptores opioide sendo os principais: µ (Mi), κ (kappa), δ (delta).

(Sendo que existem variações dos receptores µ o que pode explicar diferentes efeitos colaterais entre espécies, e entre indivíduos da mesma espécie. Em cães, foram encontrados polimorfismos de nucleotídeo únicos (SNP) que contribui para diversidade da estrutura e função dos receptores e consequentemente efeitos diferentes.)

Os receptores opioides são receptores acoplados à proteína Gi, com efeitos moleculares propostos que incluem inibição da adenilil ciclase, formação diminuída de monofosfato de adenosina cíclico (cAMP), inibição dos canais de Ca2+ nos neurônios pré-sinápticos, resultando em diminuição da liberação de neurotransmissores excitatórios (p. ex., glutamato e substância P) e aumento do efluxo de potássio (K+) celular nos neurônios pós-sinápticos, resultando em hiperpolarização dos neurônios nociceptivos e nociceptores e aumento dos limiares de ativação

O receptor nociceptina/orfanina FQ apresenta homologia com receptores opioides e produz analgesia ao ser antagonizado, e dessa forma no futuro poderam ser alvos de produção de analgésicos ou adjuvantes analgésicos.

Principais ligantes endógenos dos receptores:

Receptores µ

Receptores κ

Receptores δ

Β-endorfina

Leucina

Dinorfina A

 

Metionina

 

 

Encefalina

 

 

E os opioide são classificados de acordo com a interação com esses receptores (agonistas completos, agonistas parciais, ou antagonistas).

Agonistas completo: o efeito é dependente da dose até que seja alcançada a máxima estimulação do receptor.

Agonista parcial: produz um aumento dependente da dose no efeito, porém alcança um platô em um efeito máximo menor do que o efeito máximo de um agonista completo.

Antagonista: liga-se a um receptor de alta afinidade, e não deixa os agonistas se ligarem (tanto endógenos quanto exógenos). Os antagonistas também tem a capacidade de reverter os efeitos de agonistas previamente administrados, justamente pela alta afinidade dos antagonistas aos receptores em comparação com os agonistas. Dessa forma, os agonistas previamente ligados são deslocados dos receptores.

Observação: a administração de um agonista parcial pode atuar como um antagonista e reverter parcialmente os efeitos dos agonistas completos, e podem ser mais desejáveis que um antagonista.

E podem ser classificados de acordo com a sua potência. A potência se refere a dose que um medicamento tem seu efeito. E lembrando que nada tem haver com a duração e eficácia.

Eles atuam a nível de Sistema Nervoso Central (SNC) e podem atuar em vários outros tecidos do corpo, visto a ampla distribuição dos receptores opioides.


Kukanich B. e Wiese A. Opioides. In: Lumb e Jones. Anestesiologia e Analgesia em Veterinária. 5 ed. Rio de Janeiro: editora Roca, 2017.

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