Preanaesthetic screening in dogs and cats (Triagem Pré-anestésica em cães e gatos, 2020)

O artigo de hoje (Preanaesthetic screening in dogs and cats) é sobre triagem pré-anestésica. O qual um artigo revisão, que trás pontos importantes em relação a uma boa triagem. 

E que é importante começar com uma boa consulta pré-anestésica, com histórico, exame físico detalhados. Principalmente se a primeira vez do paciente no consultório visto que esse animal não tem história já conhecida. 

E dessa fmaneira, pode-se determinar os riscos anestésicos. 

E existe uma tabela que foi adaptada da medicina humana para caracterizar o status de saúde físico do paciente - ASA (American Society of Anestesiologist) e que possui 5 categorias:

ASA I: Pacientes saudáveis, normais (não-braquicefálicos). Ex: castração.

ASA II: Pacientes com doença sistêmica moderada. Ex. braquicefálicos/geriatras saudáveis, sopro cardíaco (grau III e IV), desidratação moderada (4-6%), doença gastrointestinal moderada/controlada. 

ASA III: Pacientes com doença sistêmica severa. Ex.: anemia moderada, braquicefálicos com moderado sinais respiratórios e gastrointestinais, paciente com epilepsia não controlada/instável, paciente compensando doença pulmonar/renal.

ASA IV: Pacientes com doença sistêmica severa, constante risco a vida. Ex.: arritmia cardíaca (severa, não controlada), desidratação severa (>10%), endotoxemia, doença hepática não controlada/instável,

ASA V: Paciente moribundo, sem expectativa de sobrevivência sem a operação. Ex: falência múltipla de órgãos, severo trauma/sepse, doença terminal. 

A partir dela + uma boa consulta pré-anestésica é fundamental para avaliar os riscos. O ASA  não é indicado ser colocado como única forma de medir o risco anestésico, visto que ele possui suas limitações, entre elas:

- A classificação pode variar entre diferentes avaliadores. 

-Sensibilidade baixa em medir riscos transoperatório em pontuações mais baixas.

- O ASA não leva em consideração importantes fatores como idade, espécie, raça, tipo de procedimento. 

É bom estar atento que cada tipo de raça tem suas particularidades:

  • Braquicefálicos tem predisposição a síndrome respiratória obstrutiva que envolve anormalidade do trato respiratório superior com narinas estenóticas, ventrículos laríngeos evertidos, colapso de laringe, hipoplasia de traqueia,  palato mole alongado. E regurgitação.
  • Collies tem predisposição a mutação do gene MDR-1, e sensibilidade a fenotiazínicos, morfina, lactonas macrocíclicas.
  • Dobermann tem predisposição genética a doença de Von Willebrand (tipo 1), e risco pré-clínico de cardiomiopatia dilatada. 
  • Greyhound tem sensibilidade ao medicamento e intervalos de dosagem imprevisíveis, hematócrito acima da média, baixo BWC e baixa contagem de plaquetas, sopros funcionais, estenose aórtica, hipertensão, TFG (Taxa de Filtração Glomerular) elevada, creatinina sérica elevada, T4 (tiroxina) e fT4  (tiroxina livre) baixos, alto risco de sangramento pós-operatório (cinética de coágulo lenta e baixa resistência ao coágulo).
  • Labrador Retriever tem predisposição a disforia induzidas por opióides.
  • Pastor Alemão tem paralisia de laringe. 
  • Raças do Alaska tem predisposição a disforia induzidas por opióides.
  • Rottweiller tem risco de paralisia de laringe. 
  • Schaunzers, West Highland white terriers tem risco de síndrome do sinus doente ("sick sinus syndrome - SSS"). 

Foi mostrado um estudo que verificou que felinos tem maior mortalidade do que cães. 

E que são importantes os check lists para que nada passe despercebido em um avaliação pré-anestésica.

Ainda no artigo, fala-se sobre a questão do uso exames laboratoriais como pré-requisito:

"To conclude, in otherwise non-geriatric healthy patients undergoing routine elective procedures (eg, orchiectomy), the use of routine pre-general anaesthesia blood testing may not be necessary. Instead, the clinician should be guided by patient history and clinical findings , with the addition of pre-general anaesthesia blood testing where appropriate. The exception is in cases where non-routine surgery is to be performed."

Traduzindo: animais saudáveis não-geriatras, que vão para procedimento eletivo (ex. castração), o hemograma pode não ser necessário, no entanto, o clínico deve se basear no histórico e achados no exame físico, com a adição do hemograma/bioquímicos aonde for apropriado. A exceção é em casos cirurgias não-de-rotina são feitas. 

[ Minha observação para o leitor: não se baseie apenas na conclusão deste artigo, se possível pegue-o para ler completamente, vá nas referências a qual essa conclusão se baseie. Cada caso é um caso, nem sempre o clínico pelo qual o animal passou fez um boa consulta]. 

Em procedimentos invasivos  a determinado órgão ou sistema, se faz necessário a avaliação geral deste órgão. 


Referências:

Ferreira, J. Preanaesthetic screening in dog and cats. In practice, v.42, n.4. 2020. 

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